sexta-feira, 1 de abril de 2011

Releitura da moda da Década de 40

Releitura do estilo militar e do New Look de Dior. Agora usado de uma forma mais suave.
É um bom look para este friozinho que está chegando.

Moda na Década de 40

Paris sitiada pelas tropas alemães, foi afastada  do mundo da moda. Com a rescessão e a escassez de tecidos e aviamentos, assim como o racionamento da mão de obra, a moda se tornou simples e prática. O costume das mulheres era o tailleur parecendo uniforme, com ombros largos e saia curta e estreita.  Nessa época, voltou-se uma prática antiga: costura feita em casa com aproveitamento do velho e usado. Utilizavam tecidos alternativos como viscose, raiom e fibras sintéticas.

A saída para os estilistas era investir nos detalhes, já que os tecidos eram poucos. Usavam debrum em outras cores, bolsos falsos.
A alta costura se restringia às mulheres dos militares, como generais e comandantes.
Na Grã-Bretanha, o "Fashion Group og Gret Britain", comandando por Molineux, criou 32 peças de vestuário para serem produzidas em massa, com a intenção de fazer roupas mais atraentes apesar das restrições. O estilo ainda era o militar, com tecidos pesados e resistentes como o tweed. A calça comprida era prática e os vestidos imitavam uma saia com casaco.

Com o nylon em falta, as meias desapareceram dos armários femininos. As mulheres substituiram a meia-calça por meia soquetes, pernas nuas muitas vezes com uma pintura falsa, imitando uma costura.

O cabelo das mulheres estavam compridos e com a dificuldade de encontrar cabelereiros, usavam grampos para prender os cabelos em cachos.

O lenço em forma de turbante (variação do lenço de cabeça das mulheres que trabalhavam nas fábricas, que virou um símbolo da época de guerra em todas as camadas da população) foi muito usado, para esconder os cabelos danificados.

Com roupas tão simplificadas, as mulheres despertaram seu desejo pelo chapéu que era muito criativo. Grandes com adornos de flores e véu ou pequenos em feltro em estilo militar.
A maquiagem era improvisada em casa com elementos caseiros e muitos fabricantes recarregavam as embalagens dos cosméticos, pois o metal estava sendo usado na indústria bélica.
Os sapatos eram pesados e masculinos, como a plataforma tão difundida por Carmem Miranda.

Durante a guerra desenvolveu-se o read to work (pronto para usar), que mais tarde foi chamado pelos franceses como prêt-à-porter, que era a forma de produzir roupas de qualidade em grande escala. Com catálogos, os pedidos eram feitos e entregues em 24 horas.
Com o isolamento de Paris, os americanos criaram com mais liberdade sua moda. Criaram os conjuntos, que as mulheres podiam combinar entre si e criar novos looks.
Em 1944, com a libertação de Paris, a alegria volta às ruas. Os soldados traziam meias de nylon americanas e o perfume Chanel nº5 para as mulheres.
Em 1945, foi feita uma exposição de moda " Le Theatre de la Mode", para angariar fundos e confirmar a força e o talento da costura francesa. Como não havia material suficiente, tiveram que vestir pequenas bonecas moldadas com fio de ferro e cabeça de gesso, com modelos criados pelos grandes nomes da alta-costura. A exposição foi um grande sucesso, mostrando trajes dos esportivos aos de baile. Essa exposição rodou vários países.

Em 1947, Christian Dior aceita a sugestão de um fábrica de Lyon, para incentivar a indústria têxtil e inventa suas saias New Look, que gastavam entre 15 e 50 metros de tecido. Muitas mulheres sacrificaram lençóis e cortinas para ficar na moda. Depois de tanta rescessão e sacrifícios, as mulheres queriam  voltar a ficar femininas.



O estilista também criou a saia tubo com sua fenda famosa para facilitar o movimento das pernas.
O estilo New Look durou tres anos e explodiu como uma bomba e os homens que acabavam de voltar da guerra adoraram o visual feminino, com a alegria dos babados e saias amplas, as cinturas de vespas, os bustos marcados, o fim dos overalls (macacões) e das linhas secas.
O estilo New Look marcou o fim de uma época e o início de outra.

Fonte de pesquisa:
Enciclopédia da Moda
Almanaque da Moda, Folha

quarta-feira, 23 de março de 2011

Moda na Década de 30

Depois de uma longa ausência neste blog, volto para comentar sobre a década de 30.

A crise mundial que começou em 1929 foi grave e afetou a economia assim como o setor da moda.
Milionários ficaram pobres, empresas e bancos faliram, as pessoas perderam os empregos.
Os grandes criadores da alta costura tiveram que reorganizar suas casas, pois seus clientes especiais diminuiram e assim tiveram que exportar para o mundo inteiro, para usuários anônimos.
O espírito mais típico da época encontra-se claramente expresso nas palavras de Gabrielle Chanel: " Uma moda que não pode ser facilmente usada por vasta camada da população não é moda alguma!"
Em Paris, a estilista Mme. Grès criou vestidos que não precisavam de corpetes e nem de sutiãs.
Nesta década, redescobriu-se o corpo feminino, através de uma elegância refinada e sem grande ousadia. Um corte perfeito, com a cintura levemente acentuada, recortes assimétricos e elaborados visavam afinar a silhueta feminina; os vestidos com o tecido cortado enviesado davam uma linha alongada aos corpos, porém sem apertar o busto nem os quadris.
Materiais mais baratos foram usados para vestidos de noite, como a casemira e o algodão.
O corte enviesado e os decotes profundos nas costas dos vestidos de noite marcaram os anos 30, que elegeram as costas femininas como o novo foco de atenção. Alguns pesquisadores acreditam que foi a evolução dos trajes de banho a grande inspiração para tais roupas decotadas.

A moda dos anos 30 descobriu o esporte, a vida ao ar livre e o banho de sol.
Seguindo as exigências das atividades esportivas, os saiotes de praia diminuíram, as cavas aumentaram e os decotes chegaram até a cintura, assim como alguns modelos de vestidos de noite.
O short começou a ser usado com o uso da bicicleta.
O óculos de sol vira acessório da moda.
Em 1933, surgem as camisas da Lacoste, que eram confortáveis para a prática dos esportes.

A mulher dessa época devia ser magra, bronzeada e esportiva, o modelo de beleza da atriz Greta Garbo.

Seu visual sofisticado, com sobrancelhas e pálpebras marcadas com lápis e pó bem claro, foi copiado pelas mulheres. Aliás, o cinema influenciou a moda com artistas como Katherine Hapburn e Marlene Dietrich.
Marlene Dietrich começou a usar calças compridas, o que revolucionou a moda feminina.

Gabrielle Chanel continuava sendo sucesso, assim como Madeleine Vionnet e Jeanne Lanvin. A surpreendente italiana Elsa Schiaparelli iniciou uma série de ousadias em suas criações, inspiradas no surrealismo em Paris. Outro destaque é Mainbocher, primeiro estilista maericano a fazer sucesso em Paris. Seus modelos, em geral, eram sérios e elegantes, isnpirados no corte enviesado de Vionnet.

Salvatore Ferragamo lançou sua marca de sapatos em 1935 e por causa da crise começou a usar materiais mais baratos como cânhamo, palha e materiais sintéticos. Sua principal invenção foi a palmilha compensada.

Cinza, preto e azul marinho foram as cores preferidas para os costumes de duas peças (tailleurs), confeccionados em tweed. Já os vestidos leves foram feitos de rayon estampados. A indústria química já desenvolvera bastante as fibras sintéticas.
O fecho èclair fez sua entrada na confecção de alta costura.
No fim dos anos 30, o biquini de duas peças apareceu nas praias.
O penteado feminino costumava mostrar cabelos curtos com ondulados leves. Sair à rua sem chapéu, que em geral era pequeno, e sem luvas não era adequado à mulher bem educada.
Os acessórios - bolsas de alças curtas, golas brancas, cintos laqueados e flores em tecido - davam um toque de cor à indumentária, em geral bastante sóbria.


Os sapatos de bicos arredondados tinham salto altos e finos.
Apareceram as meias de nylon.
A maquiagem acentuava a boca com vermelho e as sobrancelhas raspadas foram retraçadas a lápis preto.

Para o "homem moderno", o terno em tecido escuro de listras finas e ombros superlargos era o preferido. As calças eram amplas e tinham bainhas viradas, vincos e pregas na cintura. Os knickerboxers ( palavra inglesa para designar um calção folgado, franzido abaixo do joelho e preso com botão ou fivela) largos eram muito populares.
Apareceram paletós feitos de tweed, usados com calças de tecidos diferentes, e pulôvers sem mangas, no lugar de coletes. Capas impermeáveis com cintos nas costas foram vistas em todos os lugares. Os chapéus homburg (chapéu de feltro que era feito em Homburg, Alemanha, possuia copa alta com um sulco profundo no meio, com uma tira escura costurada em torno da base da copa.) de abas levantadas, munidos de fita de gorgurão, foram os prediletos dos homens elegantes.

A forma dos sapatos masculino pouco mudou. Luvas de camurça, xales e abotoaduras de punho eram os únicos acessórios da indumentária masculina. O cabelo curto dispensava o uso do laquê.
O rumor da perspecitva de guerra refletiu-se em alguns detalhes militares na vestimenta, como por exemplo, na tendência de acentuar os ombros e nos feitios secos e severos. Algumas peças já se preparavam para dias difíceis, como as saias que já vinham com abertura lateral, para facilitar os uso de bicicletas.
Muitos estilistas fecharam suas maisons ou se mudaram da França para outros países. A guerra viria a transformar a forma de vestir o e o comporamento de uma época.


Fonte de pesquisa:
Enciclopédia da Moda
Folha Online, Especial Moda

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Homenagem à decada de 20

Coco Chanel

Como escrevi no outro post sobre a moda na década de 20, não poderia deixar de citar um pouco mais da grande estilista da época: Coco Chanel.
Vai aí um pouco mais da história dela.
Nasceu em 1883 e morreu em 1971.
Nasceu Gabrielle Bonheur Chanel em Saumur, França.
Apesar de muitas dúvidas envolverem o início da vida de Chanel, acredita-se que tenha adquirido alguma experiência em costura e chapelaria antes de se mudar para Deauville, em 1910, para trabalhar em uma loja de chapéus.
Entre 1912 e 1914 abriu duas lojas, uma em Paris e outra em Deauville, onde confeccionava e vendia chapéus, blusas simples e soltas e camisas íntimas. As roupas de Chanel eram criadas para serem usadas sem espartilhos, sendo feitas com menos forro para ficarem mais leves e menos rígidas. Em 1914 ela já apresentou um vestido chemisier simples.
Em 1916 começou a fazer roupas de jérsei, um tecido barato usado anteriormente só para roupas íntimas. Mais tarde, a demanada deste tecido e de uma malha especial chamada kasha persuadiu Chanel a fabricá-los. 
Em 1918 Chanel estava produzindo cardigãs e twinsets. Adaptou suéteres masculinos e lançou-os sobre saias lisas e retas.
Em 1920 lançou calças largas para mulheres, baseadas na boca-de-sino dos marinheiros, chamadas "calças para iatismo". Elas foram seguidas, dois anos depois, por amplos pijamas para praia, generosamente cortados.

A vida pessoal de Chanel chamava atenção, aumentando sua influência sobre a moda durante os anos pós- Primeira Guerra. Ela própria usava as roupas que havia adaptado de peças tradicionais masculinas: capa de chuva com cintos, camisas simples de gola aberta, blazers, cardigãs, calças e boinas macias. Suas cores preferidas eram o cinza e o azul-marinho, mas criou também a voga do bege.
Tornou-se uma personagem famosa, o arquétipo da Garçonne - seios pequenos, magra, usava roupas folgadas e confortáveis e um corte de cabelo curto, lembrando um menino.
Durante toda a década de 20, Chanel lançou uma idéia de moda após a outra. Combinou saias de tweed com suéteres e colares compridos de pérolas, transformou as japonas e as capas de chuva em trajes de moda e popularizou o pretinho.

Seu casaquinho cardigã sem gola era adornado com passamanaria, possuía bolsos chapados e era usado com saias de tweed até os joelhos. Seus vestidos chemisier simples traziam decote redondo, reto ou decote canoa, eram folgados, chegando ao  meio da canela ou mais abaixo, e eram usados com cintos na cintura ou nos quadris. Outra inovação da época foram os laços pretos enormes, botões dourados em blazers, sapatos abertos e bolsas com correntes douradas.

Exerceu forte influência sobre as jóias, mostrando conjuntos elegantes de tweed usados com colares de pérolas falsas de várias voltas ou correntes douradas.

O seu perfume, o Chanel nº5 - tido como mais vendido no mundo-, foi o que a tornou milionária. O perfume foi criado em 1921 por Ernest Beaus a pedido de Chanel, que sugeriu : " Um pefume de mulher com cheiro de mulher".  Dentro de um frasco art déco - que foi incorporado à coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York em 1959 -, o Chanel nº 5 foi o primeiro perfume sintético a levar o nome de um estilista.


Na década de 30 encomendou bijuterias elaboradas ao duque Fulco de Verdura, utilizando pedras falsas e semipreciosas em engastes ostensivos.
Em 1929, Chanel abriu uma butique em seu salão de Paris para vender acessórios: bolsas, cintos, lenços e bijuterias.

No ano seguinte foi para Hollywood desenhar roupas para diversos filmes da United Artists.
De volta à França em meados da década de 30, Chanel concentrou boa parte de sua atenção em confecção. Fechou seu salão em 1939. Em 1954, aos 71 anos de idade, reabriu-o e apresentou mais uma vez os conjuntos corretos que haviam sido sua marca registrada antes da Segunda Guerra Mundial. O mundo da moda ficou chocado ao ver a moda reciclada do período anterior à guerra, porém mais mulheres do que nunca, adotaram o conjunto Chanel e, na década de 60, ele havia se tornado um símbolo de elegância tradicional, usado (como na década de 20) com uma bolsa de corrente dourada e um colar de pérolas. O estilo perdura até hoje, em particular nos Estados Unidos.

Fonte: Enciclopéida da Moda