Depois de uma longa ausência neste blog, volto para comentar sobre a década de 30.
A crise mundial que começou em 1929 foi grave e afetou a economia assim como o setor da moda.
Milionários ficaram pobres, empresas e bancos faliram, as pessoas perderam os empregos.
Os grandes criadores da alta costura tiveram que reorganizar suas casas, pois seus clientes especiais diminuiram e assim tiveram que exportar para o mundo inteiro, para usuários anônimos.
O espírito mais típico da época encontra-se claramente expresso nas palavras de Gabrielle Chanel: " Uma moda que não pode ser facilmente usada por vasta camada da população não é moda alguma!"
Em Paris, a estilista Mme. Grès criou vestidos que não precisavam de corpetes e nem de sutiãs.
Nesta década, redescobriu-se o corpo feminino, através de uma elegância refinada e sem grande ousadia. Um corte perfeito, com a cintura levemente acentuada, recortes assimétricos e elaborados visavam afinar a silhueta feminina; os vestidos com o tecido cortado enviesado davam uma linha alongada aos corpos, porém sem apertar o busto nem os quadris.
Materiais mais baratos foram usados para vestidos de noite, como a casemira e o algodão.
O corte enviesado e os decotes profundos nas costas dos vestidos de noite marcaram os anos 30, que elegeram as costas femininas como o novo foco de atenção. Alguns pesquisadores acreditam que foi a evolução dos trajes de banho a grande inspiração para tais roupas decotadas.
A moda dos anos 30 descobriu o esporte, a vida ao ar livre e o banho de sol.
Seguindo as exigências das atividades esportivas, os saiotes de praia diminuíram, as cavas aumentaram e os decotes chegaram até a cintura, assim como alguns modelos de vestidos de noite.
O short começou a ser usado com o uso da bicicleta.
O óculos de sol vira acessório da moda.
Em 1933, surgem as camisas da Lacoste, que eram confortáveis para a prática dos esportes.
A mulher dessa época devia ser magra, bronzeada e esportiva, o modelo de beleza da atriz Greta Garbo.
Seu visual sofisticado, com sobrancelhas e pálpebras marcadas com lápis e pó bem claro, foi copiado pelas mulheres. Aliás, o cinema influenciou a moda com artistas como Katherine Hapburn e Marlene Dietrich.
Marlene Dietrich começou a usar calças compridas, o que revolucionou a moda feminina.
Gabrielle Chanel continuava sendo sucesso, assim como Madeleine Vionnet e Jeanne Lanvin. A surpreendente italiana Elsa Schiaparelli iniciou uma série de ousadias em suas criações, inspiradas no surrealismo em Paris. Outro destaque é Mainbocher, primeiro estilista maericano a fazer sucesso em Paris. Seus modelos, em geral, eram sérios e elegantes, isnpirados no corte enviesado de Vionnet.
Salvatore Ferragamo lançou sua marca de sapatos em 1935 e por causa da crise começou a usar materiais mais baratos como cânhamo, palha e materiais sintéticos. Sua principal invenção foi a palmilha compensada.
Cinza, preto e azul marinho foram as cores preferidas para os costumes de duas peças (tailleurs), confeccionados em tweed. Já os vestidos leves foram feitos de rayon estampados. A indústria química já desenvolvera bastante as fibras sintéticas.
O fecho èclair fez sua entrada na confecção de alta costura.
No fim dos anos 30, o biquini de duas peças apareceu nas praias.
O penteado feminino costumava mostrar cabelos curtos com ondulados leves. Sair à rua sem chapéu, que em geral era pequeno, e sem luvas não era adequado à mulher bem educada.
Os acessórios - bolsas de alças curtas, golas brancas, cintos laqueados e flores em tecido - davam um toque de cor à indumentária, em geral bastante sóbria.
Os sapatos de bicos arredondados tinham salto altos e finos.
Apareceram as meias de nylon.
A maquiagem acentuava a boca com vermelho e as sobrancelhas raspadas foram retraçadas a lápis preto.
Para o "homem moderno", o terno em tecido escuro de listras finas e ombros superlargos era o preferido. As calças eram amplas e tinham bainhas viradas, vincos e pregas na cintura. Os knickerboxers ( palavra inglesa para designar um calção folgado, franzido abaixo do joelho e preso com botão ou fivela) largos eram muito populares.
Apareceram paletós feitos de tweed, usados com calças de tecidos diferentes, e pulôvers sem mangas, no lugar de coletes. Capas impermeáveis com cintos nas costas foram vistas em todos os lugares. Os chapéus homburg (chapéu de feltro que era feito em Homburg, Alemanha, possuia copa alta com um sulco profundo no meio, com uma tira escura costurada em torno da base da copa.) de abas levantadas, munidos de fita de gorgurão, foram os prediletos dos homens elegantes.
A forma dos sapatos masculino pouco mudou. Luvas de camurça, xales e abotoaduras de punho eram os únicos acessórios da indumentária masculina. O cabelo curto dispensava o uso do laquê.
O rumor da perspecitva de guerra refletiu-se em alguns detalhes militares na vestimenta, como por exemplo, na tendência de acentuar os ombros e nos feitios secos e severos. Algumas peças já se preparavam para dias difíceis, como as saias que já vinham com abertura lateral, para facilitar os uso de bicicletas.
Muitos estilistas fecharam suas maisons ou se mudaram da França para outros países. A guerra viria a transformar a forma de vestir o e o comporamento de uma época.
Fonte de pesquisa:
Enciclopédia da Moda
Folha Online, Especial Moda







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